domingo, junho 05, 2011

A ARTE DE ENVELHECER

A vida humana é constituída de várias fases, varias etapas, diversas uma das outras: infância, adolescência, juventude, meio dia da vida, idade adulta, velhice e o entardecer de nossa vida terrena. Cada etapa tem suas características, uma é diferente da outra, cada uma tem seus valores e suas limitações. O importante é conhecer cada uma das etapas, aceitá-las, receber e saber dar o auxilio necessário.

Certamente é sublime a arte de envelhecer. Mesmo que se troque de nome: (3ª idade, melhor idade ou outras palavras), não dá para esquecer as limitações que ela tem. A primeira atitude que devemos cultivar é aquela de aceitar o envelhecimento. Para aceitar é preciso reconciliar-se com o seu passado. Não tem ninguém de nós que não precise reconciliar-se com o passado, perdoar aos outros e perdoar a si mesmo. É claro que o que foi dito e o que foi feito está feito, não podemos mudar, mas pode ser aceito. Se Deus nos perdoa é importante também perdoar-se e isso nos ajuda a sermos humildes, compreensivos com os outros. Muita coisa acontece não por maldade, mas por fragilidade. Quando se chega a este tempo, a fase da velhice, é importante aceitar os próprios limites e realizar o que é possível. Valorizar o que é pequeno.

Uma outra atitude e que vem em primeiro lugar é confiar em Deus Nosso Senhor, Ele é sempre próximo de nós, está em nós, está dentro de nós. Ele sempre ouve atende e compreende toda nossa oração, não só aquela que expressamos com palavras, mas aquela que está em nosso coração.

A velhice é uma fase da vida onde nós devemos saber abandonar; um dia Jesus disse a Pedro: "Quando eras jovem ias aonde    querias, quando ficares velho outro te conduzirá para onde não queres ir" (Jo. 21,18).

Na etapa da velhice, muita coisa é preciso abandonar: abandonar algo no exercício de nossa profissão, nossas posses, a saúde, o poder. Mas a gente abandona para ficar mais ágil em vista do passo que precisamos dar ao entardecer da vida e entrar na vida eterna.

Porém, a velhice tem certas atitudes importantes que se pode cultivar mais que em outras épocas:

Cultivar a gratidão, a humildade, a serenidade.

Também é uma fase onde se precisa receber.

Eu estou entrando nesta fase da velhice, então compreendo como duma parte é preciso saber receber, mas também não ficar dependente de mais. Eu dependo da bengala e de outras pessoas, mas eu também procuro caminhar sozinho. É preciso não ficar dependente sempre. É preciso ajudar-se.

           Por isso é preciso saber aceitar as próprias limitações e também a ajuda. Precisamos compreender a etapa da velhice para poder ajudar naquilo que a pessoa precisa.

Também é necessário cuidar, porque muitas vezes pensamos que ajudar é tirar a cruz da pessoa. Não. Não devemos substituir ou tirar a cruz da pessoa, mas devemos ajudar a carregar a cruz, sendo solidários, compreensivos, próximos, amigos e atentos.

Tendo presente a etapa da vida que estou vivendo, gostaria de partilhar e rezar uma oração com todos. Quem deixou esta oração foi minha mãe, por isso a faço com o coração:

“Senhor, Tu sabes que eu estou envelhecendo cada dia mais e que um dia serei velho de verdade.

Guarda-me da vontade de ter que falar sobre tudo e em todas as ocasiões. Livra-me da vontade de querer pôr em ordem os assuntos dos outros. Ensina-me a ser pensativo. De ajudar, sem querer impor as soluções.

Acumulei tanta experiência e tanta sabedoria que sinto pena em não poder passar adiante. Livra-me da mania de contar os detalhes infinitos das minhas doenças. Ensina-me a calar sobre minhas doenças e dificuldades, elas aumentam com os anos e minha vontade de descrevê-las também.

Não me atrevo a pedir o dom de escutar com prazer as doenças dos outros, mas ensina-me pelo menos em ouvir com paciência.

Dá-me Senhor a sabedoria de reconhecer aquilo em que eu posso estar errado. Eu não quero ser santo, mas nem um velho rabugento.

Ensina-me a descobrir as qualidades dos meus irmãos e concede-me a capacidade maravilhosa de que eu não só saiba conhecer as qualidades, mas reconhecê-las em cada um dos meus irmãos. Reconhecer e admirá-las. Assim seja”.

Esta era a oração que minha mãe rezava. Ela viveu 90 anos. Peço que me ajude a ficar um velho bom, um bispo velho e bom e que abençoe a todos.

Que saibamos amar com compreensão e também ajudar sem querer ser o centro de tudo.



Minha saudação e minha prece por todos.

Dom Paulo Moretto,

Bispo Diocesano de Caxias do Sul.


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