No dia do amigo me pus a pensar sobre o sentido da amizade. Lembrei da frase que "Macarrão” escreveu em suas costas, para manifestar sua amizade com o goleiro Bruno, supostos assassinos de Eliza Samúdio. A frase declarava: “Maka e Bruno! A amizade, nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro”. Algumas perguntas surgiram nesse mesmo instante: O que é ser amigo de alguém? Quais sentimentos estão presentes quando dizemos que alguém é nosso amigo? A amizade é apenas um sentimento que une as pessoas entre si? Falar de amizade ou de amizade verdadeira é a mesma coisa?
A palavra amigo evoca na linguagem cotidiana muitos sentimentos, que não é fácil definir. Todas as pessoas têm amigos. Todos nós precisamos de alguém como amigo. Continuamente, declaramos a nossa amizade por alguém. Muitas vezes, embora não declarando, nos sentimos e vivemos como amigos. A amizade poderia ser então aquele sentimento de afeto, de carinho, de estima por alguém. Como base desses sentimentos existe o amor, que se apresenta, como fonte de todos os outros sentimentos que a palavra amigo evoca.
Certamente, será muito triste viver sem amigos. E se quase todas as pessoas tem amigos, podemos dizer, que nem todos os amigos conduzem o outro a verdade, ao bem e ao amor. Existem grupos de amigos que empreendem caminhos complicados, de droga, de roubo, de vícios, bebedeiras, orgias, mentiras, traições, violência, etc. Diante disso, podemos perguntar: Se os sentimentos que unem dois amigos têm como base o amor, e só com amor há amizade, então como poderiam eles trilhar caminhos tão tortuosos e prejudiciais para suas vidas, à vida dos outros e da sociedade? Que amor é esse que une amigos para cometerem esses atos?
O ser humano tem capacidade de amar e recebeu isso como dom. Porém, há no ser humano uma tendência ao fechamento, ao egoísmo, isto é, o centramento sobre si mesmo e seus interesses. Assim, o amor que existe no coração humano tende a se tornar um amor interesseiro, que quer sempre receber sem dar, ter regalias, sem preocupar-se com o outro, com o diferente, com aquele que não é do meu grupo.
Para que a amizade seja verdadeira é preciso que haja desinteresse, gratuidade e decentramento. Não deve reduzir-se ao grupo de iguais, de mesmo pensamento, mesmas atitudes, mesmos interesses. O mesmo, o igual, o fechado, fere e mata o outro, o diferente. O amor que fundamenta este tipo de amizade não foi ainda purificado pelo amor fontal, o amor desinteressado, o amor doação, que nasce do coração de Deus.
Assim sendo, nem toda relação de amizade é amizade verdadeira, porque não passou pela purificação do amor verdadeiro. É o caso daquele grupo de amigos que matou Eliza. Será o amor que une “Bruno e Maka” como amigos, amor verdadeiro, como declara a frase? São amigos entre si, mas estão ainda muito longe do bem, da verdade e de Deus. Não são amigos de Deus. Estão longe da fonte do amor, que purifica em todos nós o nosso amor de amizade e a verdade de nossas amizades.
Pe. Ezequiel Dal Pozzo
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